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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

No cano da Garrucha, cofre de capira

[Garrucha_Pistola+(1).jpg]

Ao findar o dia 18 de maio de mil novecentos e vinte e sete, a soturna noite foi refrescada por uma brisa leve e fria que  foi entendida como prenúncio de um inverno rigoroso pelos moradores das cabeceiras do rio Sucuri no município de Pongai .

O rigor da frente fria provocara chuva na região, as goteiras que caiam do telhado do velho casarão de madeira serviam de acalento para o casal de idosos, Isael e Cotinha, que, em sono profundo, se refaziam de mais um dia de trabalho.

Incentivado por imigrantes japoneses, seu Isael passou a arrendar parte de seu sitio para plantadores de algodão que, naquele ano, lhe rendera lucros, nunca antes conseguido com a lavoura de subsistência por ele praticado. A notícia correu pelas vizinhanças e sei Isael  passou a gozar status de um pequeno fazendeiro.

A ausência de meios de transporte próprio da época e o comodismo dos caboclos, os obrigavam  guardar suas economias em baixo do colchão.

Com a previsão de um fluxo maior de dinheiro o Sr. Isael começou a ensaiar para breve uma ida até Pirajuí para abrir uma conta corrente no Banco do Brasil, já que Pongaí não dispunha desse tipo de estabelecimento. Enquanto não ia à cidade para fazer o deposito Seu Isael procurava de varias formas  proteger  suas economia, pois sabia que os lucros obtido com a venda do algodão estava despertando a atenção de muitos vizinhos.

Sabendo que ratos e traças podiam lhe causar enorme prejuízo, não se sentia seguro guardando seu dinheiro na gaveta ou sob o colchão. Em sua matreirice de caipira, foi criativo e original ao escolher um lugar seguro para guardar seu dinheiro até que pudesse ir ao banco para depositá-lo. Foi enrolando maços de notas em forma de charuto e colocando-os no cano de um velho garruchão. Tampou o  cano com uma ponta de sabugo e dependurou atrás da porta do seu quarto. Foram quatro charutos de cédulas de grande valor daquela época, que se somava uma pequena fortuna..

Alguém já informado sobre a existência do dinheiro e que o casal de velhos moravam sozinhos, viu ai a possibilidade de um roubo fácil e rendoso e, mesmo embaixo de chuva, dirigiu-se para o velho casarão e, de posse de uma faca de lamina fina e comprida, a fez correr em uma fresta entre a rústica porta e o batente da mesma, girando uma taramela que escancarou uma grande e escura cozinha onde uma manta de toucinho e alguns gomos de lingüiça de porco defumavam sobre o embatumado fogão a lenha, de onde exalava seu cheiro por toda a cozinha que, somado ao cheiro forte que vinha da tabua de queijo curado, dava uma atmosfera toda própria àquela cozinha, através da qual o larápio teve acesso ao corredor que o levou até o quarto, pois sabia que ali encontraria o que buscava.

Mesmo tomando muito cuidado para não fazer barulho, o abrir de gavetas e remexer em papeis, parecia muito barulhento naquele ambiente silencioso. Após alguns minutos de procura o ladrão ouviu alguém se mexer na cama e emitir alguns sussurros. Como sabia que seu Isael era sonâmbulo, resolveu tirar proveito e arriscou uma pergunta: “onde está o dinheiro do algodão”? Mesmo dormindo, respondeu corretamente: “está no cano da garrucha”!

Pensando tratar-se de uma reação armada, o ladrão fugiu na escuridão da noite, deixando como denuncia as gavetas remexidas, levando como lembrança apenas o agradável cheiro de uma cozinha caipira.

Lázaro Carneiro

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