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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cornélio Pires

PEQUENA BIOGRAFIA DE CONÉLIO PIRES

Cornélio foi um aprendiz da vida, do dia e da noite, mas se qualificou como jornalista, escritor, poeta e folclorista, sempre apaixonado pela civilização do povo rural. Já em 1910, ficou conhecido por ter encenado na Universidade Mackenzie de São Paulo um "velório caipira", apresentando catireiros, cantadores e dançadores autênticos, seguido de uma palestra sobre o significado cultural dos mutirões, um evento inédito e provocador. Pouca gente até hoje sabe que os mutirões rurais eram reuniões dos roceiros com o intuito de se ajudarem nos trabalhos de preparação da terra para o plantio ou na colheita; esses trabalhos eram realizados ao som das cantorias de músicas específicas e, no final do dia, festejados com comida, mais cantoria de viola e dança.

Em 1914 começou a promover as famosas "Conferências Caipiras Cornélio Pires", apresentando sempre artistas de modas avioladas, sendo, claro, o grande incentivador de inúmeras duplas de cantadores que fizeram a história iniciática da Música Caipira de Raízes, como Caçula e Sorocabinha, Zico e Ferrinho, Raul Torres e Serrinha. Sua realização mais importante foi ter sido o responsável pelas primeiras gravações em discos dessas modas, na Gravadora Colúmbia, discos de rótulos vermelhos, a série 20.000, que foi o marco divisor da música do campo Antes, para o disco, ela era composta por citadinos eruditos e apenas inspirada em motivos sertanejos. A "Serie Cornélio Pires", também conhecida como a famosíssima "Série Vermelha", significou um retrato sem retoque da gente da roça. Para que o fenômeno acontecesse, ele custeou todas as despesas de produção, trazendo de Piracicaba para a Capital sua primeira turma caipira e comprando, ele próprio, todos os discos. Vendia-os em locais onde realizava suas palestras. Foram cerca de 50 discos gravados entre 1929 e 1931, sendo que alguns atingiram a vendagem de 20.000 exemplares.

O primeiro disco continha, no lado B, "Jorginho do Sertão", de sua autoria e no lado A o registro de "Como cantam algumas aves, imitações de aves", um primeiro esforço de valorização de nossa ecologia. Cornélio decidiu viajar pelo interior do estado de São Paulo e outros estados, inclusive os do nordeste, estreando na condição de apresentador e caipira humorista, ao organizar o "Teatro Ambulante Gratuito Cornélio Pires", que itinerou de cidade em cidade com grande sucesso, tornando-o admirado por toda a população brasileira. Ousamos imaginar a possibilidade de ter sido Cornélio Pires o iniciador das turnês musicais pelo Brasil afora, praticadas até hoje pela indústria cultural.Cornélio Pires foi ainda um incansável escritor. Pelos títulos de sua vasta bibliografia, podemos compreender seu amor e respeito pelos habitantes dos sertões e sua cultura: "Musa Caipira", "Versos Velhos", "Cenas e Paisagens de Minha Terra", "Quem conta um Conto", "Conversas ao Pé do Fogo", "Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho, o Queima Campo", "Tragédia Cabocla", "Patacoadas", "Seleta Caipira", "Almanaque do Saci", "Sambas e Cateretês", "Só Rindo", "Tá no Bocó" ... e Outros Contos", "Enciclopédia de Anedotas e Curiosidades", entre tantos outros. É uma produção polêmica, destinada, sem dúvida, a popularizar e valorizar o trabalhador rural e seu cotidiano, sistematicamente ridicularizado pelas elites de um sistema social que se urbanizou na primeira metade do século XX. Um sistema preconceituoso que contou com os serviços de um intelectual do porte de Monteiro Lobato, autor de equivocado artigo depreciativo do homem caipira, "Velha Praga", publicado no jornal O Estado de São Paulo e incluído na segunda edição de "Urupês" (1918), do qual veio a se arrepender mais tarde, pedindo publicamente perdão para seu equivocado personagem, o Jeca Tatu. Um engano que se disseminou por todo o país nas ondas radiofônicas dos reclames do fortificante Biotônico Fontoura e do vermífugo Ankilostomina, além de nas ilustrações dos Almanaques Biotônico onde Lobato, com pretenso caráter educativo, relatava a fábula do Jeca Tatuzinho, um caipirinha doente e destrambelhado. O almanaque teve 90 milhões de exemplares impressos em cerca de 50 edições, distribuídos para uma população que somente 50 anos depois viria a ter 90 milhões de habitantes. O diminutivo Tatuzinho tinha a finalidade de cativar o público infantil, já que o almanaque era distribuído nas portas dos grupos escolares e adotados pelas professoras da época. Este personagem é a síntese de um preconceito criado por distorcidas e constantes análises engendradas desde os tempos das viagens do botânico francês Auguste de Saint-Hilaire pelo interior do Brasil (1819 e 1822), até as décadas de 1950-60-70 com a jocosa produção cinematográfica de Amâncio Mazzaropi entre outros produtos estereotipados da indústria cultural.

A população brasileira, a despeito do grande sucesso de público conquistado pelo Mundo Caipira, alimenta ainda hoje um sentimento de rejeição pelo cidadão agricultor, o qual necessita ser revisto com urgência.Cornélio Pires nasceu em 13 de julho de 1884 em Tietê, interior de São Paulo, e viveu até 1958. Nos últimos anos de sua existência, em viagens ao exterior, experienciou vários fenômenos mediúnicos, o que o levou a aderir ao Espiritismo. Publicou uma série de livros sobre a Doutrina Espírita além de várias fotografias sobre materialização de espíritos desencarnados. Teve inclusive livros psicografados pelo prestigiado médium Francisco Cândido Xavier. Esta particularidade confere ao personagem Cornélio Pires um interessante traço em sua personalidade questionadora e vivaz.

Em sua vida, Cornélio passou pela virada do século XIX para o XX, por duas Guerras Mundiais, por várias revoluções políticas, pela contundente crise de 1929 quando foram erradicados os cafezais paulistas com o conseqüente êxodo rural, pela ditadura e pelo populismo de Getúlio Vargas, teve ativa participação na famosa Semana de Arte Moderna de 22, foi íntimo de grandes intelectuais brasileiros como Mário de Andrade, Sílvio Romero, Martins Fontes. Tornou-se um personagem exuberante que merece a atenção generosa do público brasileiro e, porque não, mundial.

Reinaldo Volpato - Cineasta

Um comentário:

  1. gostei muito de blog e a esse Jornalista Francisco Martins
    é apenas um sem cultura sem nacionalidades com raiz infertil;muito enteressa e e rico em raridades nota mil para seu blog
    Tião Camargo

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