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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Rei dos Caçadores

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O Rei do Caçadores

Até  por volta de 1960 era possível vê-lo ali pelos campos do Rio Claro entre Avaré e Lençóis paulista, sempre muito desenvolto com  sua égua de nome Garrucha seguido por uma verdadeira matilha. No mínimo cinco vira-latas o acompanhava em todas as suas incursões por aquelas redondezas.

Qualquer conversa sobre caçada entre os moradores da região obrigatoriamente falaria de Zacarias, o rei dos caçadores, como diria os grandes e antigos locutores de radio: o homem era uma lenda viva no esporte da caça.

A abundancia de caças no cerrado da região suscitava nos moradores  o gosto pelas caçadas, independente da idade era comum entre os homens uma conversa sobre cachorros e espingardas; sob as arvores que sombreavam as margens dos campos de bola onde eram disputado os “derbes” caipira entre as fazendas, nas festas, ou mesmo nas noites em que se  guardava  um corpo, o assunto caçada sempre vinha à baila.

Quem tinha um bom cachorro veadeiro ou um perdigueiro daqueles que amarrava a perdiz na moita de macega, quem possuía uma espingarda cartucheira roncava papo graúdo.

A historia mais aguardada era sempre a do Zacarias. Suas historias começavam sempre do mesmo jeito, falando da cachorra Campina, uma vira-lata que por ser uma cadela um pouco grande de rabo fino e alongado ele jurava que era inglesa.

Alem da Campina ele tinha mais uma batelada de cachorros, dizia com orgulho que eram 32; sabia o nome de cada um deles, e o mais interessante é que todos o obedeciam.

Zacarias era uma grande alma, tipo folclórico na região, morava sozinho num rancho na cabeceira da Água da Coruja, um córrego que deságuava no rio Claro, trabalhava  muito pouco, mal fazia para seu sustento, seus cachorros viviam magros e sarnentos, sempre indispostos para uma corrida que fosse alem do terreiro do rancho. Tinha uma pica-pau sem marca que ele dizia ser “Henrique Laporte” das legítimas, quando saía em sua égua de rabo longo que quase tocava o chão e sua grina mal tosada cheia de carrapichos era sempre acompanhado por ama renque de cães,  que combinavam com aquele caboclão mal ajambrado. Quando alguém lhe perguntava do resto da cachorrada o matuto enchia o peito, pigarreava e dizia: ué eu trago esses pra caça e os de guarda ficam em casa.

Sempre que precisava embrenhava naqueles campos em busca de sua sobrevivência, trazia  em sua patrona frutas do cerrado, eram gabirobas, marolos, articum e outras que só um tabaréu como ele conhecia; quando dava sorte trazia um tatu ou uma perdiz.

Se encontrasse alguém conhecido já sentava de bando sobre o arreio e a prosa não tinha fim, se perguntassem a ele  se tinha matado algum veado respondia de imediato: --- que jeito, se os cachorros não levantou nenhum! E gargalhava desbragadamente mostrando os parcos dentes emplastados de jatobá.

Lázaro Carneiro

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